Um novo Brasileirão

Rico em grandes talentos, porém precário em estrutura e organização. Este é o triste retrato do futebol brasileiro, que depois de exatos oito meses começa a dar o seu ar da graça e mostrar porque o seu nacional é um dos mais disputados no mundo.

Sabemos que, tal como passagens e datas históricas de anos "a.C" e "d.C", a maioria dos times brasileiros se dividem em duas fases: o antes e o depois da janela de transferências, que é a vilã número um do nosso futebol.

Times que fazem um ótimo primeiro semestre são rapidamente visados pelos gringos que buscam a boleiragem em terras tupiniquins.

Mas e o restante do ano, como fica?

Uma pergunta difícil. Até mais do que repor a altura os muitos boleiros que saem.
Mas felizmente o pesadelo se encerra daqui a algumas horas de hoje, com o fechamento desta janela. Para a alegria maior dos torcedores de seus times.

E olhando para a elite do futebol (entenda-se por Série A) podemos vislumbrar um segundo turno muito mais disputado, pois desta vez houve um equilíbrio muito grande entre ganhos e perdas dos times; ao mesmo tempo em que perdemos craques como André Santos, Cristian, Ramires, Nilmar, entre outros, os torcedores também festejam o retorno de Edu, Ronaldo, Fernandão, Adriano, Marcelo Mattos, Vagner Love, e muitos outros jogadores de alto nível.

Não importa se estejam um pouco acima da idade ou buscando se recuperar. É muito bom ver que bons filhos a casa tornam, e são muito reconhecidos pela torcida.

Coincidentemente, todos os exemplos citados retornam em times que figuram entre as primeiras posições do Brasileirão - Palmeiras, Goiás, Inter e Corinthians - e agora estão mais do que nunca na briga pelo título.
E tem tudo para desfilar por aqui, sem maiores interrupções a partir de hoje.

Não percam os próximos dezesseis capítulos desta saga! Agora é pra valer!


Reinaldo Vieira
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Loucos por TRI, Corinthians!


A frase mais do que manjada para os corinthianos foi colocada a prova na final desta Copa do Brasil e não decepcionou, tanto na ida quanto na volta.

Dez jogos. Novecentos minutos de muita tensão e futebol (sem contar os acréscimos).
A saga de um time alvinegro que após um ano e meio voltou a Porto Alegre disposto a exterminar aquele passado maldito, na terra dos gaúchos Grêmio e Internacional, que naquele 2 de Dezembro de 2007 conseguiu o improvável: se uniram pela queda do gigante Corinthians.
Ora, não eram eles eternos rivais em cores e tudo? Vai entender...

Para a Fiel torcida, estes dois jogos da final tiveram um gostinho de vingança. A vingança contra aquele Inter que lhe negara o primeiro título brasileiro em 1976, que desmereceu - e continua desmerecendo - o tetracampeonato alvinegro de 2005, e que dois anos mais tarde entregaria vergonhosamente o jogo para o Goiás.
É, aquele Inter...

Mal sabiam os colorados que o mundo dá voltas, e que 'os humilhados serão exaltados', como já dizia o sábio.
O tempo passou, e o Coringão voltou. Mais forte do que nunca, retornando a elite com dignidade e bom futebol, sendo campeão paulista invicto no ano seguinte, e chegando a segunda final consecutiva de Copa do Brasil. Em um curto espaço de um ano e meio, deu uma volta por cima fenomenal.

Fenomenal porque venceu um adversário que era tido como favorito.
Fenomenal porque é superação, vide os casos de Ronaldo e Marcelo Oliveira, que muitos já davam como aposentados pelas sérias lesões.
Fenomenal porque especialmente nessa final jogou e deu show, combatendo a soberba e arrogância característica dos colorados que tanto 'choraram' nas semanas da decisão - especialmente a do vice-presidente Fernando Carvalho - por conta de um suposto 'apito amigo' corinthiano.
Fenomenal simplesmente porque é CORINTHIANS.

Esse é o time do povo, guerreiro demais. Que não se intimida, nem mesmo com o inferno que o crápula colorado insistiu que aconteceria no Beira-Rio.
E realmente, teria porque se intimidar? Já pudemos ver e viver o inferno nesse pouco tempo passado, através de fatos e pessoas que, felizmente, já estão devidamente enterrados.

Tríplice Coroa, por que não? 2009 já está fenomenal, devemos aproveitar ainda mais.
A mesma parte de secadores que dias atrás vibrava com a nossa degola, hoje tapa os ouvidos na inútil tentativa de abafar os nossos cantos.

Não são capazes de ver e aceitar a volta por cima de um gigante, muito menos da Fiel torcida que o apoiou nos momentos mais difíceis. Honrando seu status e se mostrando muito mais fiel do que todos imaginavam.

Isto é Corinthians. Isto é centenário. E também pode ser a data para a tão sonhada libertação da América.
Alguém aqui duvida?

É o Campeão dos Campeões, eternamente dentro dos nossos corações.

VAI CORINTHIANS!


Reinaldo Vieira

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A dois passos do paraíso

Foi sofrido, doloroso em alguns momentos, mas valeu a pena.
Corinthians e Internacional chegam a final da Copa do Brasil como os dois sobreviventes de um longo caminho. Que se tornou mais árduo na recente semifinal de ambos, diga-se de passagem.

Com a vantagem de empatar sem gols, ontem o Corinthians enfrentou o Vasco diante de sua torcida no Pacaembu. Missão cumprida, apesar de apresentar um futebol muito ruim e em alguns momentos entregue a empolgação do time carioca.
Sem o lateral André Santos, convocado para a Seleção Brasileira, os donos da casa pecaram muito na ofensividade e apresentaram muitos erros técnicos e táticos.
Outro ponto a ser ressaltado é a incrível fase vivida pelo goleiro Felipe, que dura desde as semifinais do Paulistão. E ontem não foi diferente, vide a linda defesa que fez numa cabeçada do centroavante vascaíno Elton.

Dispensando detalhes dos jogos, a outra semifinal entre Coritiba e Internacional também foi tensa no estádio Couto Pereira.
Após ter perdido por 3 a 1 em Porto Alegre, o time alviverde entrou em campo precisando vencer por dois ou mais gols de diferença para chegar a final. Pressionou os visitantes durante a maior parte do jogo e exigiu boas defesas do goleiro Lauro.
Só aos 37 minutos que conseguiu o seu gol com o argentino Ariel, e se lançou ao ataque nos últimos minutos. O zagueiro/lateral Bolívar ainda foi expulso, deixando o time colorado com um a menos. Mas o time conseguiu se segurar e garantir a classificação para a final.

Na tarde desta quinta-feira foi realizado o sorteio
dos mandos de campo da final.
O Corinthians receberá o Inter no Pacaembu (SP), no próximo dia 17, enquanto que o jogo de volta acontecerá no dia 1º de julho, no estádio Beira-Rio (RS).

Esta é a quinta final da equipe corintiana na história, que obtém dois títulos do torneio - 1995 e 2001 - além de ser o atual vice, tendo perdido o título para o Sport no ano passado.
O Inter soma apenas uma conquista no torneio - em 1992 -, na única final que disputou.

Acabou o favoritismo, e a final dos sonhos está concretizada. Despertando um clima de revanche dos dois lados, sendo inegavelmente a maior parte do Internacional; o time ainda não digeriu o tetracampeonato do Corinthians em 2005, mesmo após tanto tempo passado desde então.

Dois passos separam os times de uma vaga antecipada para a Copa Libertadores de 2010, e para mais um troféu na galeria.
Com todo o respeito aos demais times, mas está é a final dos sonhos, e será disputada até o último minuto.

Que o melhor vença!
(e como não podia deixar de ser, VAI CORINTHIANS!)


Reinaldo Vieira
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Messi, o Rei de Roma


A capital italiana conhecida como a 'Cidade Eterna' foi o palco ideal da final entre Barcelona e Manchester United, para coroar o vencedor da Liga dos Campeões da Europa.

Uma cidade com muita história, lembrando tempos de guerra, imperadores e legionários, por exemplo.
A missão de conquistar o troféu estava bem monopolizada entre Messi e Cristiano Ronaldo, para a maioria dos torcedores. Levande sempre em conta que tal conquista é um enorme passo para quem quer ser eleito o melhor jogador do mundo pela FIFA.

Desta vez, deu a inédita tríplice coroa do Barcelona. Sim, assim é: Copa do Rei e Campeonato Espanhol. Nada mais justo para o melhor Barça dos últimos tempos, senão o melhor da história.
Bem é verdade que nos primeiros minutos de jogo sofreu uma pressão do Manchester, em arremates de fora da área com o português Cristiano Ronaldo. Mas ficou só nisso mesmo.

Poucos minutos depois, o jogo se ajustou ao que todos haviam previsto: um Barcelona brincando com a bola, rodando-a de pé em pé dos jogadores diante de um Manchester perigosíssimo nos contra-ataques.
Tática que deu certo logo aos 10 minutos, quando Iniesta rolou para o camaronês Eto'o dentro da área. O atacante deu um corte seco em Vidic e chutou na saída do goleiro para abrir o placar. E continuar a magia do futebol catalão, deixando o time inglês tonto em campo.

Veio o segundo tempo, com tons de emoção, já que os times de Alex Ferguson nunca se entregam; Tevez entrou na vaga do volante brasileiro Anderson, para dar mais velocidade aos contra-ataques.
Apesar da pouca experiência, Josep Guardiola (técnico e ex-jogador do Barça) não se deixou impressionar, e continuou ditando o jogo.

Aos 25 do segundo tempo, o golpe fatal: Xavi recebe bola mal afastada da defesa inglesa, e cruza na área. O atacante Messi, no auge de seus 1,69m, consegue cabecear no contrapé do goleiro para marcar o segundo gol.
Com todo o respeito, ali estava cravado o campeão. E o melhor jogador do mundo também, cuja conquista bateu na trave na última temporada, devido a uma série de contusões que o prejudicaram.

O rei e seus dez gladiadores jogaram como nunca. Combatendo também a marra e soberba de Cristiano Ronaldo, diga-se de passagem.
E em matéria de títulos na Liga dos Campeões, o placar está desempatado agora: 12 a 11 para os espanhóis.

Só na história do clube catalão, esse é o terceiro título. E o desfecho ideal para um time dos sonhos.

Parabéns Barça. E Parabéns Messi, o 'Rei de Roma'.
Mesmo que por um dia.


Reinaldo Vieira
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A farsa dos tribunais no futebol

Desmoralizado. Vergonhoso. Ridículo.
Nunca uma entidade judicial foi tão criticada nos ultimos tempos como o STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva). Mas diga-se de passagem, críticas justíssimas devido a denúncias que, por mais medíocres que sejam, sempre dão um jeito de fulano ou sicrano enquadra-las ora em artigos 250, 252, 253 (este último é sempre o mais cogitado), e etc.

Além de cogitarem pena superior a 'n'
dias fora dos gramados, e por aí vai. Porém no final das contas, praticamente nenhuma punição se aplica, certo? Ou quando muito, metade desta é revertida em cestas básicas para instituições.

É. O que deveria zelar pela ordem dentro e fora dos gramados acabou virando palhaçada.

Na Série A do ano passado, já vimos casos absurdos disso.
Como no jogo entre Grêmio e Botafogo, por exemplo; o meia Carlos Alberto - até então atuando pelo Botafogo - foi suspenso por nove jogos por provocar o zagueiro gremista Léo apalpando-lhe as nádegas (falando cordialmente). Até aí uma provocação natural, mas em qual outro lugar do mundo isso é passível de punição?!

Mais estranho que isso, foi o caso com Diego Souza; o meia do Palmeiras foi julgado em primeira instância por cotovelada no volante cruzeirense Fabrício, e foi absolvido. Porém foi julgado novamente semanas depois, e punido com um jogo de suspensão, a véspera da 'decisão' contra o Grêmio. E o resto do filme todo mundo já sabe...

O mesmo Diego que foi punido novamente nessa segunda-feira, após julgamento sobre a rasteira aplicada no zagueiro santista Domingos, nas semifinais do Paulistão.
Cotado para pegar de 120 a 540 dias de suspensão, acabou ficando só com oito jogos. Que serão cumpridos apenas no Paulistão do ano que vem.
Ou seja: no final das contas, uma punição conveniente que satisfez clube e agressor.

Para encerrar, veio o dia seguinte. E foi a vez de Dentinho receber o efeito suspensivo de uma punição que já era absurda; em lance com Rafael Moura, do Atlético-PR, foi proteger a bola e esbarrou o braço sem querer no rosto atacante. Um lance típico de jogo, onde apenas os diretores atleticanos se doeram e encaminharam a denúncia.
Com o efeito suspensivo, o tribunal fica totalmente desmoralizado, e fica a pergunta: "afinal, para que serve o tribunal?"

Enquanto escrevo aqui, auditores querem relembrar os tempos de ditadura com Felipe - por ter falado o que todos pensam sobre o STJD -, querem denunciar Ronaldo por puxão de cabelo, e etc. Como se realmente não existisse maiores escândalos no futebol brasileiro...

Querem fazer com que o futebol deixe de ser popular. E infelizmente, estão conseguindo isso.


Reinaldo Vieira
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Fiéis convictos, campeões invictos!


Uma longa invencibilidade, aliada a chance extremamente próxima de ser campeão. Esse era o tema que foi tão abordado durante a semana, ainda mais depois de uma vitória fora de casa sobre o finalista Santos, por 3 a 1.
Bem é verdade com um show a parte de Ronaldo; o atacante marcou dois belos gols, que inclusive lhe renderam aplausos e uma placa de Pelé. Fenomenal.

Confesso que não assisti a primeira parte do show nesta final, devido a outros compromissos que me tiraram o sossego no último fim de semana. Mais isso passa, o melhor da festa estava reservado para este domingo.

E não deu outra. A favor da lógica e contrariando inspirações que torcida e jogadores santistas buscaram durante a semana, o Corinthians conquistou na tarde deste domingo o seu 26º título estadual.
Conquista obtida com muita autoridade, tanto que o clube repetiu um feito que não conseguia há mais de 70 anos; foi a quinta vez na história que o time alvinegro venceu o Paulistão de maneira invicta.
Mas sem esquecer que todas as outras vezes ocorreram há muito tempo - a última delas foi em 1938.

Histórias a parte, vamos a uma final de dois tempos muito distintos;

O primeiro, de muita tensão, envolvendo um Corinthians até meio acomodado, contra um Santos esforçadíssimo e, embora sem grandes chances de ser campeão, ao menos queria estragar a festa dos quase 34 mil corinthianos que compareceram ao Pacaembu.
A estratégia começou a dar resultado aos 27 minutos, quando Kléber Pereira recebeu na área e foi derrubado por Felipe. Pênalti, que o próprio atacante bateu e abriu o placar para o Santos.
Uma esperança santista começava a renascer ali, embora sem tanto brilho.

Mas o brilho do time - que já não era muito - apagou de vez aos 33 minutos.
Dentinho recebeu na esquerda e deu ótimo passe na área para o lateral André Santos, que fuzilou o goleiro Fábio Costa: 1 a 1, e delírio geral no estádio.
A partir daí, não há mais o que falar.

Nem no segundo tempo houveram sustos para o torcedor, apenas mais uma aula corinthiana de toques refinados e cadência de jogo, vendo o tempo passar.
E se perdiam a bola na técnica, recuperavam na raça, virtude que todo torcedor do Corinthians espera e cobra de seus jogadores.
Elias, Cristian e Alessandro são alguns bons exemplos que correspondem ao torcedor, e isso não é de hoje.


Aos 47 do segundo tempo o juiz apita, fim de jogo!
'É festa na favela, alegria do povão!' Mais do que nunca, isso não cansa, é o óbvio ululante que se repete no Pacaembu desde o ano passado.

Nada de primeiro passo, a volta por cima agora é definitiva. Tanto para o Corinthians quanto para Ronaldo; um entrou para a história do outro, e vice-versa.
Isso até soa estranho, afinal, quem poderia imaginar algum dia que o Fenômeno seria campeão paulista?

É difícil imaginar. Mas ele foi, e com a camisa do Timão.
Para festa total do bando de loucos, que vivem pelo time. Como também viveram muitas emoções nos últimos dois anos, independente de chorar ou sorrir.

Hoje é domingo, 3 de Maio de 2009. Dia que crava o início de um ano fenomenal.
Dedicado a todos os corinthianos espalhados pelo Brasil e pelo mundo.

Porque nada como o Corinthians para arrasar o coração da gente.


Reinaldo Vieira
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Chorando o Leco derramado


Uma semana marcante. De cutucões e previsões furadas, principalmente pelo lado tricolor; excesso de confiança evidente numa classificação para a final do Paulistão (que enfim deixou de ser apenas um 'Paulistinha', diga-se de passagem).
Sim, estamos falando do técnico Muricy Ramalho e do vice-presidente de futebol, Carlos Augusto Barros e Silva, o Leco. Com o mesmo apelido de uma marca de leite, ativa até hoje.

O primeiro acreditou muito na vantagem de decidir as semifinais em casa, afirmando que daria Palmeiras e São Paulo na final. Não deu.
Foram destroçados na bola por Santos e Corinthians, respectivamente.

Após o 'Majestoso' de volta deste domingo, um breve comentário de Mano Menezes a respeito de Muricy:

"Não gosto muito de fazer previsões porque na última, o meu amigo Muricy rachou a bola de cristal ontem e quebrou hoje. Não gosto de usar declarações de outros para mexer com o brio dos jogadores, mas hoje em dia você lê e vê tudo."

E a previsão do técnico ranzinza durou apenas 56 minutos, intervalo que envolve o primeiro tempo de jogo e os dez minutos do segundo tempo.
O que se via até então era um jogo totalmente aberto, com ambos os times escalados ofensivamente no 4-3-3, e com ligeira vantagem do São Paulo. Até por jogar em casa e assustar nos longos lançamentos nas costas da defesa alvinegra, buscando Borges ou Washington na área.

Tal estratégia foi pro espaço no fim desse intervalo; Douglas puxa contra-ataque do campo de defesa e toca para Ronaldo na esquerda. O atacante faz perfeita inversão da jogada para Jorge Henrique, que entra na área e acerta a trave.
Mas a bola sobra para o mesmo Douglas, na pequena área, completar para o gol. Era o início de uma festa no Morumbi.

Dois minutos depois, o golpe fatal: Dentinho rouba bola no campo de defesa e passa para Cristian. O volante - que já desequilibrara a favor no primeiro jogo - faz belo lançamento para Ronaldo ganhar na corrida e tocar na saída de Bosco. Um gol como nos bons tempos de Barcelona, quando dava suas arrancadas.

E onde Leco entra nessa história ?

Simples dizer; é o mesmo que ironizou Ronaldo, chamando-o de 'ex-jogador', devido
à entrada violenta do atacante em André Dias no primeiro jogo das semifinais, domingo passado.
A resposta veio com irreverência, em gesto semelhante ao de Cristian (como se vê na foto).
Só que com os dedos indicadores, é claro.

Um nocaute no time tricolor, que praticamente se entregou em campo e deu várias chances de gol ao Corinthians. Se não fosse uma pontinha de salto alto após abrir vantagem, absoluta certeza de que veríamos uma goleada alvinegra no Morumbi.

Fim de jogo. E daí se tira duas lições:
A primeira é de que "com fera não se mexe", como dissera Mano Menezes, após saber do infeliz comentário do dirigente.
A segunda é de que excesso de confiança e desrespeito com o time adversário não combinam em hipótese alguma.

Pelos lados do Parque São Jorge, teremos festa e desabafo após uma longa semana. E preparação para a final de um Paulistão digno de tal apelido.

Dos lados do Jardim Leonor, bem... a sigla SPFC no Morumbi vai se confirmando cada vez mais como 'Salão Para Festas Corinthianas', querendo ou não.
Se quiserem ganhar uma decisão contra o Corinthians, terão que suar sangue. Pois se for somente o simples suor, o lado alvinegro predominará sempre.

Não adianta chorar o leite derramado. Depois é preciso limpar o fogão.
Aí fica a dica.


Reinaldo Vieira
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Uma fase a moda inglesa, parte 2

A terra da Rainha está em festa, e não é de hoje; mais uma vez vemos a fase semifinal da Champions League com três dos quatro grandes ingleses (Liverpool, Chelsea, Arsenal e Manchester).
Com exceção do Liverpool, os demais clubes garantiram vaga na próxima fase e continuam a hegemonia inglesa no torneio.

Da edição de 2006/07 pra cá, esse quadro se manteve firme. Vale a pena relembrar que em 2006/07 deu Milan (ITA), Manchester United, Chelsea e Liverpool.
Em 2007/08, deu Barcelona (ESP), Manchester United, Chelsea e Liverpool.
E na atual edição, temos Barcelona, Manchester United, Chelsea e Arsenal.

As semifinais já foram definidas e estão marcadas para os dias 28 e 29 de Abril, com jogos de volta nos dias 5 e 6 de Maio.

Na primeira semifinal, Barcelona x Chelsea, com o primeiro jogo sendo realizado no estádio Camp Nou.
O time catalão ao meu ver, apresenta o melhor futebol do momento e possui um ataque avassalador com Henry, Eto'o, e principalmente Messi. Joga um futebol extremamente ofensivo e vem liderando com certa folga no Campeonato Espanhol.
Mas os 'Blues' da Inglaterra estão dispostos a ganhar a primeira Champions League de sua história, e calar todos que duvidaram de seu talento e futebol no comando de Felipão, que mais tarde foi substituído pelo holandês Guus Hiddink (semifinalista da Eurocopa 2008 com a Rússia). E vale lembrar muito do empate em 4 a 4 com o Liverpool, num dos jogos mais épicos e dramáticos da história deste torneio europeu.
Pois é, agora vai ser uma 'briga de cachorro grande'...

A outra semifinal é entre Manchester x Arsenal, com o primeiro jogo no estádio Old Trafford.
O atual campeão continua com o mesmo time e ataque respeitoso, apesar de ter passado certo sufoco no último jogo contra o Porto; empate em casa e uma eliminação começava a se desenhar, caso não fosse um lampejo (e um chutaço!) de Cristiano Ronaldo, garantindo a vaga, mesmo fora de casa. Festa dos 'Red Devils'.
E do lado dos 'Gunners', um time jovem, mas consistente em seu esquema. É verdade que o time não vem fazendo um grande Campeonato Inglês e tem um time menos forte em relação a 2005/06 (quando inclusive chegou a final contra o Barcelona), mas vale lembrar também os destaques do time londrino, que são o meia Fabregas, além dos atacantes Van Persie e Adebayor, em boa fase.
Um duelo bem equilibrado no momento mediano dos times. Sem apostas.

Descanso por duas semanas, e os jogos continuam. A final está quase lá.

Quem tem bola vai a Roma.


Reinaldo Vieira
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Jesus Cristian salva!


Suado, sofrido. Um jogo com a cara da Fiel.
E com um roteiro digno do recente longa-metragem, que estreou nos cinemas na última sexta, movendo todos os corinthianos pelo Brasil e pelo mundo afora.

O primeiro passo para a grande final já foi dado ontem, no Pacaembu, e desta vez o alvinegro de Parque São Jorge saiu na frente; a vitória por 2 a 1 sobre o São Paulo é de suma importância, já que o adversário tinha a vantagem de jogar por dois empates, devido a melhor campanha na primeira fase do Paulistão.
Agora é aguardar o jogo de volta no Morumbi, que acontece no próximo domingo, dia 19.

Indo ao que interessa, falemos de um jogo aberto desde o início.
Do lado de Mano Menezes, que surpreendeu e escalou um Corinthians no 4-3-3, com Jorge Henrique, Dentinho e Ronaldo no ataque. Ofensividade total, enfim uma ousadia do técnico nesse momento, disposto a vencer.
E do lado de Muricy Ramalho também, escalando o São Paulo dos últimos quatro anos, no velho 3-5-2. A idéia era a de segurar ao máximo o time da casa, e apostar nas jogadas de bola parada com Jorge Wagner, ou em um bom contra-ataque puxado para Washington ou Borges.

Idéias vistas claramente nos primeiros vinte minutos, e aliadas ao ânimo acirrado dos jogadores.
O pisão de Ronaldo em André Dias logo aos 6 minutos deixa claro isso; um lance duvidoso para o árbitro Sálvio Spínola.
Seria caso para expulsão? Talvez. Mas pelo nome e o histórico quase exemplar dentro de campo pesam mais nessa hora. Ponto.

Aos 25 minutos, veio tudo que o São Paulo queria: uma bola parada, ponto forte do time tricolor e tensão para alguns corintianos (especialmente para os corneteiros do goleiro Felipe).
Jorge Wagner joga na área, e o zagueiro Miranda cabeceou para o gol. O Corinthians reclama que o mesmo teria empurrado Chicão antes do lance, cometendo falta. Mas não adiantou, e bola pra frente que ainda tem jogo.

Três minutos depois, a resposta; Jorge Henrique na ponta direita, toca para Elias. O volante com pinta de meia - ou o inverso, caso queira dizer - arrancou, passou por dois zagueiros e cutucou de pé esquerdo para o gol de Rogério Ceni, que sequer se mexeu.
Festa dos corintianos no estádio, que ainda levaram susto em mais dois lances, com Borges (que perdeu um gol cara a cara com Felipe) e Miranda (após cobrança de escanteio, em cabeçada que Elias salvou em cima da linha). Abre o olho, Timão!

O segundo tempo começou mal, mas ficou ainda pior para o São Paulo com a expulsão do zagueiro André Dias, depois de falta em Elias que lhe rendeu o segundo amarelo. Muricy colocou Renato Silva, para reforçar a zaga, e se preparar para uma pressão corintiana que estava por vir.

Não deu outra; um Corinthians quase todo no campo de ataque, com Jorge Henrique e Dentinho finalmente avançando como pontas, Elias ajudando na armação de jogadas, e assim foram criadas mais chances de gol.
Destaque para um chute de Douglas, em que Rogério quase engoliu um frangaço - lance muito semelhante ao do italiano Pagliuca, na final da Copa de 94 -, e em um chutaço de Elias que o arqueiro defendeu a queima-roupa. Que tensão!

Mas aos 47 minutos e quarenta segundos - sim, vale a pena lembrar do tempo! -, Cristian desarma Jorge Wagner no campo de ataque, corre e manda uma bomba de longe, no cantinho de Rogério.
Gol que dispensa comentários; a Fiel explode de alegria no Pacaembu, junto com o volante, que ainda cruza os braços em alusão a Independente (torcida organizada do São Paulo) e manda um gesto obsceno para a mesma. É só ver na foto acima.

"É festa, é festa na favela!", era o que cantava os corintianos. Gol e vitória emocionantes, e semelhantes a semifinal do Paulistão 2001, contra o Santos. Quem viu o gol de Ricardinho a dez segundos do fim sabe do que se trata.
A diferença é que esse era o jogo de volta, carimbando a vaga para a final. Essa história toda culminou com o título paulista, como todos sabem.

A história tem tudo para se repetir, pois raça e superação não falta a esse time. Deixá-lo crescer em retas decisivas é como dar a arma ao bandido.

Vai Corinthians, não pára de lutar!
Saravá São Jorge, ele vai te ajudar!


Reinaldo Vieira
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(Planejamento + espírito de disputa) + sorte = títulos

A equação citada no título acima envolve as palavras mais faladas no atual mundo futebolístico, sempre em prol do resultado certo. Nunca o planejamento de um clube, o espírito de disputa num torneio e, até mesmo a sorte (por que não?) se completaram tanto.

Como em toda equação na matemática, existem as incógnitas (x, y, z ou afins). Pode sempre haver mais de uma, mas neste caso não; a incógnita mesmo é a variável sorte, que não se mede e nem se explica. Ponto.
O espírito de disputa envolve-se principalmente em competições cobiçadas e de longo prazo, como o Brasileirão das séries A e B, a Libertadores da América e a Liga dos Campeões da Europa - estas duas últimas que por sinal, são muito semelhantes -, são alguns exemplos pelo mundo afora.
E aliado a um bom planejamento, forma a combinação perfeita.

Pegue equipes campeãs recentemente, como o Corinthians na Série B de 2008 e o Boca Juniors na Libertadores de 2007, por exemplo.
O primeiro - habituado ao futebol "mauricinho" da Série A, de pouca correria e toques de bola refinados e envolventes - aderiu rápido a forma de disputa do torneio, com muita correria, raça, e entendendo cada jogo como uma verdadeira batalha. Sem contar no conhecido planejamento que antecede esse torneio: reformulação quase total no elenco, com a chegada de jogadores que podem até ser pouco técnicos, mas totalmente comprometidos em ajudar o clube na volta para a elite.
E se algum grande achar que pode jogar a Série B sem tal espírito mencionado, vai se dar mal.

Já o segundo sabe jogar o maior torneio sul-americano como poucos; é "malandro" dentro de campo, faz valer seus jogos em casa (raramente empata ou perde na Bombonera), além de ter a raça e a disposição características do argentino. É isso que o faz ser uma equipe tão tradicional e copeira nesse torneio.
Do tipo que se fala "olha, esse time é a cara da Libertadores". Esse tipo de comentário vale para alguns jogadores também, independente do torneio.

Veja se a equação não faz sentido, depois de tudo isso. E em ambos os casos, lembre que a sorte valeu menos. O que substituiu foi a competência.
Talvez devesse mencioná-la logo no início também... mas por essa prova toda, fico devendo.

Nota 9 em uma prova que seus conceitos gerais valem 10.
Que isso sirva de exemplo, como se fosse pra deixar o pai orgulhoso do filho.

Sim torcedor, entenda-se neste caso como o "pai". E cobre os conceitos de seu "filho", pois esta longa temporada está só começando.


Reinaldo Vieira
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